Voltei mesninas, temos um suspense aí, boa leitura.
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Bruno’s Pov
Tentei me acalmar antes
de ler o bilhete por completo então fui até a cozinha e servi um grande copo de
café, já que não sabia o que encontraria ali. Respirei fundo e comecei a ler o
bilhete que dizia:
“Bom dia Bru, espero que tenha dormido bem e muito obrigada
por passar a noite comigo. Quando acordar, não me procure, eu não vou muito
longe, apenas preciso de um tempo pra pensar, sozinha. Volto pra casa antes de
escurecer então não se preocupe, quero que tome o tempo que precisar e, por
favor, sinta-se a vontade se precisar de algo ai em casa, mas peço que não
esteja aí quando eu voltar pra casa. Eu tomei uma decisão, apenas amizade, e
ficarei muito feliz se decidir respeitá-la. Pode levar a chave reserva com
você, eu tenho a minha. Prometo que te ligo assim que voltar pra casa hoje, pra
que você não fique preocupado Okay? Tenha um bom dia gatinho. Um beijo da sua
melhor amiga gatinha, Rachel.”
E agora posso dizer que
respirei pela primeira vez nessa manhã. Guardei o bilhete no bolso e tomei meu
café, depois arrumei tudo e lavei o pouco de louça que havia na pia então fui
pra minha casa, tomei um banho e fui até o estúdio encontrar Phil. Sim, eu
decidi respeitar a decisão dela.
-Cara, na sua situação
eu ficaria doido também, mas pelo menos ela prometeu ligar. –Phil disse ainda
olhando pro bilhete.
-Pelo menos. Mas eu
entendo a decisão dela, ela deve estar surtando com toda essa pressão do
trabalho e tudo mais, e foi por isso que eu quis fazer a viagem pra Veneza, vai
ser bom pra ela esquecer um pouco. –Falei passando a mão pelos cabelos e
voltando minha atenção para o violão em minha mão.
-E pra quando tá marcada
essa viagem? –Perguntou Phil.
-Ainda não tem data
definida, temos mais algum tempo pra decidir quando viajar então deixamos pra
escolher outra hora. –Falei
OFF
Estava na hora de voltar
pra casa, já estava escurecendo e eu não queria mais fugir dos meus problemas,
eu tive meu tempo pra pensar e agora é hora de voltar e continuar vivendo.
Assim que cheguei em
casa eu liguei pro Bruno, que pareceu aliviado ao receber minha ligação então
conversamos por um bom tempo, depois liguei pra Andréa e conversamos um pouco,
já que não tínhamos nos visto muito por conta das férias e depois de tudo isso,
fui dormir mais tranquila, preciso confessar.
9 de fevereiro
(Pra quem não lembra oque aconteceu no dia 9 a dois meses atrás, aconselho ler o cap. 17 outra vez).
Caramba, amanha vai
fazer dois meses que eu reencontrei meu pai denovo, depois de tantos anos. Foi
um momento tão bom.
Ontem tive um sonho
estranho, não foi um pesadelo, apenas um sonho estranho, seila. Eu sonhei com a
Katherine, sonhei que estávamos voltando pra casa de algum lugar, já éramos
adultas, nós ríamos juntas de algo e então ela parou o carro na frente da minha
casa, a mesma que moro agora e quando eu desci ela disse “Boa noite Ray, até outro dia quem sabe. E por favor, toma cuidado.”
Eu não respondi pois fiquei sem entender então ela ligou o carro e foi embora.
Não entendi o sentido
daquele sonho, mas acordei com algumas lágrimas nos meus olhos. Sabe, é difícil
aos 17 anos, ver que sua melhor amiga que sempre esteve lá pra tudo, de repente
não está mais, e justamente na hora mais difícil da sua vida. Eu e Kate éramos
como irmãs sabe, ela esteve lá quando eu entrei na escola e não tinha ninguém
pra conversar, quando eu tive minha primeira paixonite no colégio, quando ela
teve seu primeiro namoro eu também estava lá e de repente, puft, foi embora.
Durante todos esses anos eu fiquei imaginando o porquê de ela ter feito aquilo,
ou por onde ela anda hoje em dia.
Depois que levantei da
cama, lavei meu rosto e tentei dispersar esses pensamentos então liguei pro
Bruno e disse que estava pensando em fazermos algo amanha todos nós se meu pai
estiver de folga e ele gostou da ideia, disse que só não passava aqui em casa
agora pra falar sobre isso porque daqui a pouco
teria que ir pro estúdio então logo desligamos.
Logo depois do almoço eu
fui ver TV então lembrei que não havia pego minha correspondência então saí de
casa e fui andando calmamente até a caixa de correio na frente de casa pra
pegá-las e logo voltei pela calçadinha de entrada, passando os olhos pelas
correspondências e parando na que eu estava esperando por dias, a do médico.
Continuei andando, entrei em casa e me encostei na porta, abri a carta e passei
meus olhos pelo exame. Fui olhando os resultados de algumas doenças que
poderiam ter sido e tudo estava negativo, eu estava aliviada por não ter nada
grave, mas ainda não havia acabado, havia mais um exame no envelope então
peguei e o abri. Lá estava escrito o seguinte:
“Resultado: 2262,00 mUI/mL Interpretação: Valores superiores
ou iguais a 30,00 mUI/mL correlacionam-se geralmente com gravidez”
Quando meus olhos
pararam na palavra gravidez, meu corpo todo tremeu, eu li uma, duas e três
vezes, mas não conseguia realizar. Eu apenas me recostei na porta e deixei meu
corpo deslizar por ela, até o chão enquanto lágrimas desciam pelo meu rosto.
Eu
não podia estar grávida, não agora, não assim. Eu e o Bruno nem estamos juntos
e como eu iria contar isso pra ele? Como ele reagiria ao saber que vai ter um
filho? De quantos meses eu estou?
Mil perguntas circulavam
na minha cabeça no momento, mas eu não conseguia explicações pra nenhuma delas.
Fui me arrastando até o sofá e me deitei lá, guardando o exame no bolso do
casaco e agarrando uma almofada pra abafar o choro. Resolvi que teria que
resolver isso o mais rápido possível, mas não iria atrapalhar o Bruno então
apenas mandei uma mensagem.
“Oi Bru, será que depois que sair do estúdio poderia dar uma
passada aqui em casa? Preciso falar com você, é muito importante, mas por
favor, venha só a noite quando sair do estúdio. Não se preocupe. Beijos Ray.”
Enviei e guardei o
celular também no bolso do casaco. Sim, esse era um assunto que requeria muita
preocupação, mas obviamente eu não enviaria isso por mensagem pra ele,
precisávamos conversar como adultos, e, daqui pra frente, tomar decisões muito
importantes.
Uma dor aguda me invadia
toda vez que eu pensava que havia um ser vivendo dentro de mim, que precisava
do meu corpo, da minha saúde, tanto mental como física, e que quando nascesse,
teria uma mãe esquisita e cheia de crises. Era demais pra eu assimilar de uma
vez só, era crueldade do mundo contra mim me fazer criar uma criança agora. Eu
não estava preparada pra isso, pra ter um bebê que precisaria de abrigo,
carinho e o mais importante, que precisaria de amor. Amor, a cada vez que eu
pensava nessa palavra, minhas lágrimas rolavam mais e mais, pois eu não queria
colocar um ser no mundo pra que ele crescesse sem amor, isso já seria uma
crueldade contra ele.
Eu não sei quanto tempo
passei chorando, mas apenas acordei do meu transe quando ouvi a campainha
tocando. Provavelmente deve ser o Bruno, já é noite e eu aqui com essa cara de
derrotada.
Levantei e fui devagar
abrir a porta, mantendo meus olhos fixos no chão, sabia que iria chorar se eu
olhasse pra ele. Apenas esperei que ele viesse me abraçar ou algo assim, o que
não aconteceu, então subi meu olhar, e um sorriso perverso me esperava, um
sorriso que eu temi por anos e jurava nunca mais ver na vida, mas que agora
havia voltado pra me atormentar.
-Muito tempo não?
Rayzinha. –Eu não consegui raciocinar, apenas fiz a única coisa que poderia
fazer agora, corri. Ou melhor, tentei correr, pois no momento em que dei o
primeiro passo senti um chute nas pernas, que me fez cair de cara no carpete da
sala e soltar um urro de dor.
-Me solta, me solta! –Eu
gritava enquanto ele subia em cima de mim pra segurar meus braços.
-Ei, não vai dar oi pro
seu padrasto preferido, que mal educada. –Disse Paul segurando minhas mãos
acima da cabeça. Apenas em olhar pro seu rosto, eu já me sentia de volta ao
pesadelo.
-Eu vou ligar pra
polícia, me solta seu maníaco. –Falei tentando me debater, conseguindo me soltar
de seu aperto e acertar sua cabeça com o abajur de ferro que havia caído no
momento eu que eu atingi o chão. Ele pareceu ficar um pouco desnorteado
enquanto o sangue pingava de sua cabeça por toda sua camiseta e meu carpete.
-Sua vadia! –Gritou ele,
batendo com força no meu rosto, me segurando outra vez. –Você disse que vai
chamar a polícia é? Acho melhor você não tentar nada querida Rachel. –Disse ele
colocando a mão no bolso de seu casaco e meu sangue gelou, por pensar que ele
estaria tirando uma arma, mas quando vi eram apenas fotos. Eram fotos do Bruno
indo pro estúdio. –É bom você ficar bem quietinha e parar de tentar se mexer,
pois senão seu namoradinho sofrerá as conseqüências, assim como toda a família
dele. –Disse ele e uma lágrima solitária desceu pelo canto do meu olho,
pensando no que ele poderia fazer com o Bruno. Ah não, com o Bruno não.
-Ele não é meu namorado,
e você não vai encostar um dedo nele seu cretino desgraçado. –Falei com raiva e
cuspi no rosto dele, que fez uma expressão de surpresa.
-Eu te avisei Rachel.
–Disse ele e em seguida, senti um soco sendo disparado contra o meu maxilar,
fazendo sangue jorrar na hora e logo após, seu cotovelo acertou minha têmpora,
fazendo-me ficar desnorteada.
Não consegui mais ver
muita coisa depois daquilo, apenas senti meu corpo sendo arrastado e então
apaguei, pensando em quando no mundo, eu poderia ter uma morte sem sofrimento.
Apenas morrer.
Bruno’s Pov
Saí do estúdio por volta
de seis horas da tarde e fui direto pra casa da Rachel, um pouco preocupado,
devo confessar, por causa da mensagem que eu havia recebido dela algumas horas
atrás. Tentei dirigir com atenção e calma, mas sentia um aperto no meu peito a
cada vez que pensava no que poderia ter acontecido pra ela me mandar aquela
mensagem, então peguei todos os desvios que conhecia pra poder chegar mais
rápido até sua casa.
Assim que cheguei,
estacionei o carro e desci correndo, sentindo meu sangue gelar a cada passo que
eu dava por sua calçadinha de entrada então cheguei até a porta e sem nem tocar
a campainha, abri e entrei, me deparando com uma cena assustadora, algumas
coisas estava caídas no chão, a sala toda bagunçada e sangue, muito sangue
espalhado por mais da metade do cômodo.
No momento minhas pernas
fraquejaram e eu ameacei cair, mas me mantive em pé e fiz a única coisa que eu
poderia fazer agora, então enquanto corria pela casa gritando seu nome, disquei
o numero do Bradley, o pai dela, pois além de ser pai ele também era policial.
Quando conclui que ela
não estava em cômodo nenhuma da casa, Bradley atendeu.
-Alô. –Disse ele.
-Bradley é o Bruno, você
precisa vir até a casa da Rachel com a polícia, o mais rápido possível. –Falei
ofegante enquanto encarava aquele sangue todo no chão.
-Por quê? O que
aconteceu? –Pediu ele com o tom de voz mais firme.
-A Rachel sumiu Bradley,
e tem muito sangue aqui, por favor, venham logo pra cá. –Falei deixando minha
voz embargar.
-Chego aí em 10 minutos.
–Falou ele e eu apenas desliguei e me deixei escorregar pela parede até o chão
enquanto chorava olhando pra todo aquele sangue e pensando que a minha Rachel
poderia estar morta.
***
É nossa querida Ray foi encontrada por ele outra vez. Me digam aí o que acham que vai haver e o que acharam desse cap. Vejo vocês me breve bjs bjs



